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Mário de Sá Carneiro: Depressão e Dispersão

Micro Biografia:

O poeta Mário de Sá Carneiro nasceu em Lisboa no dia 19 de maio de 1890. Filho e neto de militares, pertencia a uma abastada família da alta burguesia lisboeta. Perdeu a mãe aos dois anos de idade (1892) passando a viver sob os cuidados dos avós na Quinta da Vitória, Camarates.

Parece haver uma lacuna temporal no material disponível sobre a infância e juventude do poeta. A maioria dos textos saltam dos seus 2 anos direto para a sua entrada na Faculdade de Direito de Coimbra aos 19 anos. Comparado ao abundante material biográfico sobre Virginia Woolf o que temos é mínimo e escasso com quase todas as fontes se repetindo.

Conforme dito, em 1911 matriculou-se na Faculdade de Direito, porém não chegou a concluir nem o primeiro ano. Apesar disso, o momento foi extremamente importante, pois alí conheceu seu maior amigo e correspondente: Fernando Pessoa. Através da correspondência entre os dois se tem praticamente tudo o que se conhece de Mário de Sá Carneiro.

No ano seguinte, cansado de Coimbra, seguiu para Paris – financiado pelo pai – buscando prosseguir seus estudos na Universidade Sourbone. Na “Cidade Luz” o poeta mergulhou numa vida de boêmia perambulando por cafés e cabarés da cidade. Enquanto isso seu estado depressivo se agravava. Envolveu-se com prostitutas e chegou a passar fome. Na noite de Paris conheceu Santa-Rita Pintor (Guilherme de Santa-Rita), António Ponce de Leão e outros personagens importantes da elite cultural da época e precursora do movimento modernista.

Em 1914, volta a Portugal devido a deflagração da I Guerra Mundial. Só retorna a Paris em Julho de 1915. Sua correspondência com Fernando Pessoa iniciada em 1912, agora torna-se progressivamente mais melancólica e intensa, chegando inclusive a citar seu desejo de dar fim a sua vida.

“Morre jovem o que os Deuses amam”. Assim Fernando Pessoa homenageia o amigo que em 26 de abril de 1916 no Hotel de Nice, ingere cinco frascos de estricnina. Contando com apenas 26 anos – extravagante tanto em vida quanto na morte – convidou seu amigo José de Araújo para testemunhar e relatar seu suicídio.

O Movimento Modernista em Portugal:

Em Portugal, no início do sec. XX, a literatura e as outras formas de expressão artística apresentavam-se estagnadas, contaminadas por doutrinas antigas.

Na literatura, o movimento modernista iniciou-se através da publicação de revistas que propunham uma nova estética e enfoque crítico. A primeira e mais importante destas revistas chamava-se Orpheu e do corpo editorial faziam parte Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Fernando Pessoa e outros nomes de menor peso

O primeiro número – esgotado rapidamente – provocou escândalo e foi ridicularizado pela crítica literária contemporânea. O segundo número continha trabalhos de pintores modernistas como Santa Rita Pintor, um poema de Mário de Sá Carneiro intitulado “Manucure” e “Ode Triunfal” de Álvaro de Campos – heterônimo de Fernando Pessoa. A revista fechou as portas pois o pai de Mário de Sá Carneiro negou-se a financiar a terceira edição. Contudo deixou marcas indeléveis no futuro da arte portuguesa.