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Mini Biografia:

Virginia Woolf, nascida Adeline Virginia Stephen em Londres no ano de 1882, foi uma das maiores escritoras britânicas e uma das precursoras do modernismo. Seus pais, Sir Leslie Stephen (1832 – 1904) e Julia Prinsep Stephen (1846 –1895) vinham ambos de casamentos anteriores e, conseqüentemente, tinham filhos das antigas uniões. Julia trazia três filhos enquanto Leslie somente uma filha. Virginia fora a terceira dos quatro filhos do novo casal.

Virginia não teve acesso a uma educação regular porém, Sir Leslie – um conceituado escritor, editor e crítico literário, garantiu-lhe uma educação doméstica primorosa com acesso à biblioteca da família e aos intelectuais da época que freqüentavam sua casa.

Em 1912, casou-se com Leonard Woolf – escritor e teórico político – que seria seu grande amor e protetor durante as crises depressivas.  Leonard se mostrou extremamente companheiro, suportando as intensas alterações de humor de sua amada. Em sua nota de despedida Virginia mostra toda sua admiração e carinho pelo marido. Ambos fundam, em 1917, a Hogarth Press, editora que foi a responsável pelo lançamento de autores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot.

Novamente, junto com seu marido, sua irmã Vanessa Bell e outros intelectuais da época fundou um clube chamado “Bloomsbury Group”. A história do clube, suas aspirações e até mesmo seus integrantes são motivo de controvérsia entre historiadores. Dentre os membros havia pintores, literatos, críticos de arte, novelistas, economistas e políticos.

Enquanto, certamente, tratava-se de um grupo de intelectuais que debatiam e defendiam idéias modernas, havia uma caracteristica interessante: era bastante comum o relacionamento entre seus membros, mesmo os casados.  Virginia Woolf manteve um relacionamento homossexual prolongado com Vita Sackville-West. No século XX foi cunhado o termo “Polifidelidade” para definir as estranhas  relações entre os membros do clube.

A Doença:

Após a morte da mãe em 1895 e de sua meia-irmã dois anos depois, Virginia Woolf, então com treze anos, apresentou seu primeiro episódio depressivo grave com necessidade de internação. Segundo alguns pesquisadores, suas oscilações de humor com depressões graves e necessidade de repetidas internações foram causados pelo abuso sexual a que ela e sua irmã Vanessa foram submetidas por seus meio-irmãos George e Gerald. Baseado nos conhecimentos atuais sobre a fisiopatologia da doença podemos afirmar que isso não é completamente verdade, estando outros fatores de maior peso envolvidos.

Aos 31 anos durante uma nova crise ocorre a  primeira tentativa de suicídio com a  ingestão de 100mg de veronal. A morte do pai em 1904 foi outro desencadeante de um quadro grave com necessidade de  nova internação psiquiátrica – referidas posteriormente como “descansos de saúde”.

Praticamente todas as biografias de Virginia Woolf, citam sua frigidez, o abuso sexual sofrido na infância e seus flertes homossexuais. Mas só o trabalho do psiquiatra Peter Dally avaliou o impacto do transtorno bipolar em sua obra.

Segundo ele, Virginia Woolf tirava sua inspiração da sua exacerbada sensibilidade durante seus momentos de profunda depressão. Mas, quando iniciava seus romances, encontrava-se cheia de energia, relaxada e concentrada; num provável estado de hipomania.

Seu marido descreve o início dos seus quadros de mania: “Ela iniciava falando praticamente sem parar por dois ou três dias como se não houvesse ninguém ao redor, em seguida, seu discurso tornava-se desconexo até se resumir a palavras ininteligíveis.” No ápice de seus devaneios, ela afirmava que os pássaros lhe falavam em grego, que sua mãe havia reencarnado e que vozes a “ordenavam a fazer coisas selvagens”, num exemplo claro de delírios psicóticos.

O mais importante aspecto que garantiu a Virginia a sua permanência entre a sociedade foi o apoio de amigos e a proteção familiar. Caso nascesse em outro ambiente, sem o mesmo nível inteletual e econômico, provavelmente seria encarcerada numa das muitas casas de saúde indefinidamente. Contudo, apesar de longas permanências em asilos, a maior parte da sua recuperação era feita em sua própria casa ao lado da família.

A bipolaridade levava a longos períodos de convalescência e afastamento da sociedade. Imposibilitada de ler ou escrever qualquer coisa, passava longos períodos em casas de cuidados para “ descansos de cura”.  Nesses momentos a escritora referia-se a si mesmo como ‘louca’ por ouvir vozes e ter visões. Segundo suas próprias palavras:

“Meu próprio cérebro é a mais inexplicável das máquinas. Sempre vibrante, sussurrante e  ressonante para em seguida mergulhar e se enterra na lama. Porquê? Qual é essa paixão para?” (Carta de 28 dez 1932)

Em 28 de março de 1941, presentindo um novo quadro de “loucura”, Virginia cometeu suicídio após deixar uma carta para o marido. Vestindo um casaco, encheu seus bolsos com pedras e mergulhou no rio Ouse. Seu corpo foi encontrado em 18 de abril. Suas cinzas foram enterradas pelo marido no jardim de casa.

Nota de Suicídio:

TO: LEONARD WOOLF
Rodmell,
Sussex
Tuesday [18 March 1941]

Dearest,
I feel certain that I am going mad again: I feel we cant go through mother of
those terrible times. And I shant recover this time. I begin to hear voices, and
can’t concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given
me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone
could be. I dont think two people could have been happier till this terrible disease
came. I cant fight it any longer, I know that I am spoiling your life, that without
me you could work. And you will I know. You see I can’t even write this properly.
I can’t read. What I want to say is that I owe all the happiness of my life to you.
You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that
everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you.
Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I cant go on
spoiling your life any longer.

I dont think two people could have been happier than we have been.
V.

Considerações Finais:

Talvez, Virginia Woolf seja a portadora de transtorno bipolar do humor mais bem retratada. Um vasto material – cartas, diários, ensaios e seus próprios livros – garantiram a estudiosos do seu trabalho o diagnóstico póstumo com grande precisão. Contudo, as limitações deste blog e da paciência do autor impedem que tudo isso seja revisado. Sendo assim, foram escolhidas algumas poucas fontes para formar esse pequeno mosaico de informações. Tenho certeza que qualquer pessoas que saiba usar o Google e comprar pelo Amazon terá acesso a material MUITO maior.

Extras:

eBooks:

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